Para que a primeira fratura seja a última The first fracture will be the last

Estamos perdendo a batalha  ... Podemos ganhar a guerra

 

Por trás do PrevRefrat está um conceito e uma filosofia, além dos protocolos de prevenção, diagnóstico e tratamento.

Sou um ortopedista que lida com doenças osteometabólicas. Eu analiso uma osteopenia na densitometria óssea, trato uma deficiência de vitamina D, controlo níveis de CTX, vejo um aumento de PTH (acreditem!!!).

Mas também vejo (e opero) fraturas do quadril, escaras, embolia pulmonar, óbitos, muletas, cadeira de rodas. Reabilitação é só para quem pode, não é para quem quer... Vejo milhares de velhinhas (às vezes nem tanto assim) corcundas e homens mancos.

Vejo ambulâncias rodando diversos hospitais, penando para conseguir vagas. O ilustre passageiro agonizando de dor a cada buraco no asfalto. Quem deveria ser operado em 24 horas leva 24 dias.

Há mais de 20 anos vejo campanhas para tomar mais leite, pegar sol. Vi dois Papas terem fraturas osteoporóticas. Nesses mesmos 20 anos exames sofisticados e precisos foram desenvolvidos, medicamentos eficazes lançados (quem poderia imaginar tratar uma doença usando um remédio uma ou duas vezes por ano?) e a informação crescendo mais do que cogumelos na chuva.

E o que acontece?  Cada ano mais fraturas, menos leitos hospitalares (acontece em todos os países industrializados) e a população ficando mais velha.

Nossos filhos verão o colapso deste sistema de saúde (?) e nós, já velhinhos, teremos que rezar para todos os santos para não fraturarmos o nosso quadril. Tem artrose também? Prótese? Esqueça, não tem vaga em hospital. Está lotado de fraturas. A menos que desenvolvam uma forma de fazer artroplastia ambulatorial (isso talvez seja para nossos bisnetos).

De quem é a culpa? Tudo bem, filho feio não tem pai...

Culpas existem, sim. Querem ver?

Imaginem um sujeito com dor precordial, palidez, hipotensão (o diagnóstico até um ortopedista faz). Ele foi a um hospital, fez eletro, cateterismo e colocou um ou mais stents (às vezes até uma revascularização). Depois de uns dias de CTI, Unidade Coronariana, quarto (ou enfermaria) ele sai de alta com uma série de instruções, dietas e medicações. Para que? É evidente... Se não for tomada uma série de medidas, ele vai enfartar de novo. Por isso, TODOS saem com tratamento prescrito.

Adivinhou?

Procure lembrar qual foi a última vez que você recomendou que um paciente com fratura de Colles, do colo umeral ou uma fratura vertebral (mesmo aquela antiga) fosse fazer tratamento. Claro que se este paciente não fizer, vai fraturar de novo e vai acabar passeando de ambulância com o fêmur quebrado...  Menos de 10% dos portadores de fraturas por fragilidade são orientados ou encaminhados para tratar a doença de base, a causa de tudo isso - a osteoporose.

Outros detalhes … quem tem risco elevado de fraturas TEM que ter atividade física. Quem faz exercícios tem melhor equilíbrio, cai menos e,óbvio, quebra menos. Não adianta dar só remédio !!!

Falando em remédio… Será que utilizar drogas em que a adesão é reconhecidamente baixíssima, neste paciente que tem tudo para sofrer novas fraturas, é adequado? É algo a ser repensado … eu acho que não… somos o único programa do mundo a usar sistematicamente uma droga de uso anual, pois acho que não podemos nos dar ao direito de não ter adesão total neste tipo de pacientes. O remédio é caro, dirão os “gestores”. Eu respondo que, sem dúvida nenhuma, uma fratura custa muito mais caro…

Fraturas de um modo geral diminuem não só a qualidade de vida, mas a expectativa também, ou seja, quem tem fratura morre mais cedo.

Os programas de prevenção secundária (traduzindo, depois que o indivíduo já teve uma fratura) conseguem uma redução mínima de 50% das taxas de refratura.

Metade das fraturas do quadril é originada de 17% dos pacientes que já tiveram alguma fratura.  Mais da metade dos pacientes com fratura de quadril já tiveram fratura prévia.

Como dizem na tv, a regra é clara…

Diminuir 50% das refraturas significa diminuir metade da metade (25%) das fraturas do quadril.

Não é à toa que IOF, ASBMR e outras entidades médicas além de governos, seguradoras e operadoras de saúde na Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelandia e outros estão investindo fortemente neste conceito.

É essa a semente que estamos plantando.

 

Bernardo Stolnicki

Coordenador do PrevRefrat

 

 

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